CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

sábado, 19 de julho de 2014

CONFORMAÇÃO




E da moléstia e da metástase,
Corroendo-lhe os sentidos moribundos,
Vem-lhe a última, a derradeira catarse,
Vê o homem, a si mesmo, em segundos.

Terrífica visão é, de tanto mal feito,
Angústia e tormento impingido às gentes.
Do egoísmo ao mórbido desrespeito,
Da mesquinhez à avareza, impenitentes.

Um pensamento lhe perpassa, de repente,
Já vem a morte ceifar o que lhe resta,
Contrito roga aos céus incontinente.

Um milagre para livrá-lo de sorte tão funesta.
Surda, a morte se avizinha mansamente,

O homem infere, arrependido chora e lhe estende a destra.


(Esta poesia foi uma das ganhadoras do 3º Prêmio Literário de Poesia do Portal Amigos do Livro 2013)