CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O Velho




Como nuvem tentando lambiscar a lua
Que inalcançável segue seu rumo
Vejo a mulher na janela, nua
Rogando-me um abraço, presumo


Mas, sou eu homem abandonado
Que da janela anseia a vida
Que sonha e deseja, emasculado
Como Radamés aos pés da bela Aída

Sou eu que me apego à carne
Às luzes, à platéia, ao ato
Esqueço que sou mero encarne
Do que fui, sou caricato


Prossegue a lua o seu caminho
Angustio-me à comiseração por saber
Que ela continuará, enquanto definho
Sem se importunar com o meu perecer.

19/09/2014

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