CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

DE SACO CHEIO!




Piada do dia:
Liguei para a central de consultas do IPM para marcar consulta com a Junta Médica:
_ Alô, gostaria de marcar com a Junta Médica...
_ Por favor, diga seu número de matrícula.
_ Sessenta, três, quatro, cinco...
_ Qual a matrícula?
_ Sessenta, três, quatro, cinco...
_ Não entendi, sua matrícula?
_ Sessenta, três, quatro, cinco
_ Pode repetir?
_ seis, zero...
_ Senhora, a matrícula só pode ter cinco dígitos...
_ Mas, faz tempo que estou dizendo 5 dígitos.
_ Não, a senhora acabou de dizer seis zero... (óia o purtugueis)
_ Como é? Você não deixou eu terminar.
_ Pois é, mas a matrícula só tem cinco dígitos e a senhora falou seis zero...
_ Seis, zero, três, quatro, cinco. São cinco dígitos.
_ Ah! Mas não tá aparecendo nada aqui...peraí, Carla, né?
_ É.
_ Sua consulta tá marcada, obrigada!

Ela digitou mesmo seis zeros???? 
Ainda tem gente que diz: _ Podia ser pior, podia não ter Serviço de Saúde. Mas pelo amor de São Virgílio, quando é que as pessoas vão entender que efetivamente nós não temos Serviço de Saúde???? 
A gente, como servidor, paga proporcional, para mim são mais de duzentos reais entre Saúde e Previdência descontados em folha. 
O atendimento é caótico, extremamente burocratizado, feito para a pessoa ou ficar boa a custa de mezinhas e automedicação antes de ser atendida pelo sistema ou ser atendida já para internação e possível morte. Desde o dia vinte de dezembro que boa parte dos médicos está em recesso, Só voltarão depois de 15 de janeiro. 
O sistema todo é feito para não funcionar ou funcionar precariamente isso ocorre em todos os setores: saúde, educação, cultura etc. 
É tudo contraproducente: os médicos concursados municipais que trabalham nos hospitais municipais não podem passar exame porque o IPM não aceita esse pedido de exame, tem que ser médico credenciado do IPM (??????????) para passar o exame. Quer dizer, o servidor que ganha 700,00 por mês, vai pro médico é atendido num hospital municipal recebe do médico concursado municipal um pedido de exame que é levado para uma Central de Exames (?????) onde um outro médico concursado do IPM apenas copia noutro papel o mesmo pedido de exame. Ainda pergunta pro servidor miles de coisas que ele não sabe responder porque servidor não é médico e ao final, com toda a autoridade, carimba e despacha pra marcar o mesmo exame (??????). 
Agora, o servidor tem que fazer isso fora do horário de serviço para não levar falta e tem que ter bastante dinheiro para ficar indo e vindo de ônibus com esse transporte urbano nosso que é uma piada com linhas de tráfego completamente descontínuas e terminais lotados onde a segurança só é para constar porque os guardas municipais não podem prender, ela têm que chamar a polícia militar que tem um contingente mínimo e que sofre também com o descompromisso da própria instituição. Aí se o servidor não morrer de dor, não desistir, não se automedicar, ele pode ser assaltado, levar falta no trabalho, ser taxado de preguiçoso porque só quer "viver no médico". Com um adendo, a maior parte das doenças em servidores são por formas inadequadas de trabalho - são as LER, as depressões, as lombalgias. 
Trabalham num ambiente extremamente competitivo, mesquinho, medíocre, com um mínimo de material de expediente e equipamentos; com pessoas que só querem se "dar bem" as custas do serviço dos outros. Ambiente de politicagens, mamatas e retaliações ( o dito ambiente político). O desgaste emocional vai lá pra cima. Existe terceirizado com mais poder que o chefe só porque tem padrinho político. A regra geral é a do: "podia ser pior". 
Mas isso não é privilégio municipal, não. A Administração Pública nesse país virou a casa da mãe Joana. A Receita Federal se blindou, é mais protegida que o Forte Knox, só temos acesso a ela via Internet e o site da receita virou uma salada de links; o cidadão não pode e não tem a quem reclamar dos desserviços, agora, em toda repartição pública tem uma placa ou aviso referindo-se ao art. 331 do CP; o servidor que reclama, que pensa, é malvisto, se torna pária do sistema que está mais para uma associação de malfeitores do que para uma entidade pública legítima. Vivemos um país de mentiras e escândalos e o povo pseudo abrigado pelas "Bolsas" se recusa a jogar fora as muletas dos assistencialismos eleitoreiros governamentais. Esse país não é sério. Nós não somos sérios. Pra completar quem reclama é porque está querendo uma "fatia do bolo". Eu estou de saco cheio com essa mentalidade estúpida. Mas poderia ser pior...eu poderia estar morta ou ter nascido na Grécia!!!!!!!