CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ADORADOR


Quero a ti mulher desnuda
No agora e no depois
Seja Vênus de Milo
Imutável beleza
Seja Cariátide,
Desgastada fortaleza
Sempre hei de querê-la
Eternamente desejar
Descobrir os teus segredos
Entendê-los e amar
Alcançar os céus, os infernos,
Em ti meu imenso querer
Como atormentado Dante
Dali extravagante
O teu cavaleiro andante
Contigo permanecer
Se não me quiseres
Viverei o desassossego
Do penitente a cobiçar
Como te ver desejo de outro?
Como não ser eu o teu desejar?

OIZOS PRENHE



A caatinga queima
Enquanto estala
O corpo da Miséria
Com uterinas dores
Estio perene as consome
Esgota a vida sem cores
Sem eira sem beira
Da terra-cova sem flores
Conformada pelos cactos
Pelas pedras
E a mão de ferro
De vampirescos senhores
Entre gritos e cânticos
Prenunciam as carpideiras 
O ambíguo advento
Da morte nascitura
São parteiras
As políticas mentes
Traiçoeiras
Arquitetas do infortúnio
Da nolição
Dimana vicioso feto
Expõe sua ulcerosa herança
Exploração
De irmão para com irmão
Insígnia é
O morto-vivo,
Filho de Oizos
Com este solo,
Deformação