CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

MARIA SOZINHA




Bordava na calcinha
Nas fronhas e lençóis
Uma ladainha
Em símbolos enigmáticos

Crédula santeria
Infrutífera sabedoria
Tradição matriarcal
De grandes anseios orgásticos

Pelos digitus, permanentes
Maria os lava contente
Depois de seguidos gozos
De teor ninfomaníaco

Solidão é sua guia
Maria das ladainhas
Dorme por cima dos símbolos
Que ela fique por baixo
Que alguém lhe venha por cima
Sonho eterno de uma vitalina

(Para Hilda Hilst)