CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

sábado, 26 de maio de 2012

A ARTE E EU




Respiro ao senti-la
Com espanto.
Outra estreia
Desfila
Outro tanto
No palco
Segue a plateia
Louca por ela
Sapateia,
Metamorfoseia
Oculto vil sentimento
Em beleza e desprendimento
Vitrine atrativa de vazio conteúdo
Aguardo o que me espera
Fama, poucos segundos
Prossegue o show 
Nova roupagem
Assisto, eu sei,
Somos esdrúxulos
Somos imundos
Salvo a imagem
Plumas, paetês, cores, aplaudo
A vida, eu fraudo
Coxia, camarim,
Meu, nosso fim
Parte selva, parte cena
Parte brilho, parte obscena
O que foi, ainda é
Eterno apostema
Nossa conivência
Nossa conveniência
Monofásica convivência
Aparência
Ela, eu, a plateia.
Essa é a verdadeira ideia
Que as cortinas nunca fechem
Que eu nunca proteste
Que os outros nunca se vexem
Em purpurina se diluam, 
Arte, ad perpetuam