CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

domingo, 1 de abril de 2012

INFORMAÇÕES VERSUS ALIENS


Pensei que a velhice me traria mais flexibilidade, mais condescendência no olhar as coisas e os outros e até um pouco de sabedoria. Acredito que me enganei.
Não sei se é uso excessivo de celulares, micro-ondas, ipads, ipods, tablets, e outros high-tecnicismos. Não sei se é o vazio analógico/digital das emissoras de TVs. Não sei se é massificação cultural, ou se é a enorme informação deformativa veiculada em milionésimos de segundo para todo o planeta; não sei se é a fome em sentido lato, ou o desperdício excessivo, num sentido mais específico. Não sei se é a escassez da maioria ou exagero da minoria. Não sei se o problema está em mim ou nos outros. Não sei, mesmo!
O que vejo, para onde olho, é mixórdia. É gente falando, publicando, “proselitizando” cada loucura que eu não sei se estou no século XXI ou na Idade Média, com os pés dentro de uma bacia, tendo visões futurísticas.
Eu li dias atrás, uma mistura inusitada de cabala, catolicismo, espiritualismo e xamanismo, revestidos em uma roupagem apocalíptica, messiânica. Um aviso sobre o porvir, que compreensivelmente, viria embrulhado em fogo do efeito estufa e água derretida dos polos. Os comentários à matéria eram mais cacofônicos do que a matéria em si. Citações bíblicas extensas de São João e Ezequiel, além da sapiência maestrina dos neuróticos-religiosos de carteirinha e dos profundos conhecedores do além. Tudo isso acondicionado num belo pacote de informações sobre novas formas de energia (??????)
As considerações sobre a vida dos “ídolos nacionais” são outra coisa que eu, na minha aloprada burrice, não consigo entender. Como uma bunda ou um par de peitos de silicone podem ser mais importantes do que qualquer barriga faminta? Do que o crescente assassinato de mulheres no nordeste do país? Do que o abuso de crianças? Será que estou sendo piegas? Ou será que estou ficando maluca?
A confusão é tão profunda e está tão alastrada que, quando ouço alguém comentar algo de maneira sensata penso estar ouvindo um “desencarnado”, ou algum “alienígena”. Discutir sobre política e economia tornou-se impossível, não são matérias questionáveis, são “entidades” dignas dos mistérios da fé.
E as nossas tão fala(i)das “instituições”? Essas perderam o romantizado caráter público, assumiram-se de vez como títeres do stableshiment.

Acredito que me enganei de planeta ao nascer. Deveria ter nascido um ermitão na Lua, ou uma bactéria em Marte. Talvez tivesse a chance de olhar com mais distanciamento e menos afetação essa nossa “existência”. Talvez fosse possível ser mais condescendente, mais sábia, mais flexível. Talvez, agora, eu estivesse sonhando em visitar a Terra e passasse a considerá-la (na mais total ignorância) o paraíso do sistema solar.