CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Minha Alma


Reclama minha alma a carência
De um existir aflito
Que tenta resgatar sabedoria
Em tempos não revividos
Se aqui não encontra alívio
Ao se expor à carne
Como nervo ferido
Sem cura
Não sana
Nem cauteriza

Chora minha alma, o terror
Da perda
Ao pó a carne
Já apodrecida
Consola-te
Pois em si abrigou
A ti, alma amiga

Crê minha alma, no amor
Que o existir aflito
É muito saber
É muito poder
É muito ter
É não amar
Não aprender
Não merecer
Ter minha alma
Outra vida

Amor Lúdico



Eis-me insana
Corporificada.
A essa terra vinculada
Nua, sinto latejar,
A vida em mim
Seu pulsar faz me doer
O sexo num múltiplo prazer
Nesse coexistir, nesse coabitar,
Sinto-me profanada
Enlouquecida, apaixonada
O verbo queima-me a garganta
Amar
Emudeço
Sobrevém o cansaço
Não pode ser a morte,
Relaxo
A terra me envolve
Não estou só
Sinto-me forte.
Fecho os olhos
Vejo a nós,
No orbe
Amor
Do pó ao pó.