CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SINGULARIDADE

Dando uma olhada nos principais jornais do Brasil, dos EUA e da Inglaterra de hoje surge novamente um padrão que me leva a pensar que estamos desenvolvendo a síndrome do partido. A célebre frase "se não estás comigo, estás contra mim" nunca foi tão utilizada e tão correta. Sem entrar no mérito mais profundo da questão do preconceito, estamos afundados no pântano perigoso do emocionalismo desenfreado, exarcebamento que surge pela insegurança do momento vivido em nossa civilização. Nossa individualidade está se quebrando, cindindo porque temos que nos adequar às exigências maiores de nossa sociedade globalizada.
Caminhamos pela via estreita do preconceito, numa tentativa de resgatar a nós mesmos, já que nos perdemos. Enveredamos pela neurose partidária para manter unida uma identidade que já não nos identifica. Parece paradoxal, contraditório, parece apologismo, mas não é. Estamos nos debatendo contra a cisão que vem de fora para dentro e nos obriga à feudalização das idéias, união instável e forçada de mentes. Por que, nesse exato momento, tantos governos criticam a imprensa? Por que ela é um incômodo? Porque critica, rebate, expõe o que está sendo destruído - a liberdade. Mas, não é a liberdade, genérica, é a liberdade específica, restrita, individual. Perdemos a liberdade por imposição da geleificação globalizada que, em troca, nos oferece a "high tecnology",o dinheiro fácil, consumo desmedido, luxos supérfluos e comodismos. "Se você não está comigo, está contra mim", dizem os perdedores da liberdade, "reconheça-me como sua identidade". Tolos, tolos vaidosos que não percebem que criar sua geléia particular não resgata nada. Os bastiões da identidade singular estão sendo derrubados um a um e não serão pequenos feudos que vencerão a colonificação para a qual estamos caminhando, mas sim o reforço de nossa singularidade. Talvez, tolos, cheguem a compreender que o Tiririca não é o culpado, mas a lembrança do que foi, um dia, a individualidade.

22/09/2010.