CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Desireé




Um rosto afilado, com traços romanos, emoldurado por longos cabelos lisos e castanhos. Pernas longas, bem torneadas, adornavam mais ainda seu corpo perfeito. Chamava-se Desireé com dois "ês" e pronúncia francesa. Todos na pequena cidade concordavam quando o assunto era Desireé, sua indiscutível beleza. Diziam que Deus, no dia, em que a fez, estava muitíssimo inspirado.
Do dono do Shopping ao gari, todos eram loucos por ela. Vê-la passear pela praça no final da tarde era como ganhar na loteria vezes seguidas.
E o olhar que ela tinha? Um olhar naturalmente sensual partia daqueles olhos verde-aveludados, cercados de mistério, que, ao mesmo tempo, transmitiam promessas indizíveis.
Será que ela sabia o quanto era desejada? Será que um deles a fazia suspirar de paixão?
Um dia a moça não veio para a praça, nem no dia seguinte. Os homens começaram a se inquietar, onde ela estaria? As mulheres sorriram, aliviadas. Se alguma coisa tivesse lhe acontecido (que não fosse ruim) até que seria bom, serviria para compensá-las por se sentirem tão insignificantes em sua presença. Nenhuma mulher se sentia a salvo com Desireé por perto.
Passada uma semana, uma comissão dirigiu-se à casa da diva. Entre eles o padre e um assessor do prefeito, vez que o próprio não pode comparecer, para não dar o que falar. Ficou no gabinete roendo as unhas de tanta apreensão. Apesar da insistência da comissão, nada foi descoberto. A mãe dela nada revelou sobre o seu paradeiro. Mesmo pressionada manteve-se em silêncio.
O prefeito não se deu por vencido. Sofrendo com o desaparecimento de Desireé, contratou um detetive. A paixão que nutria por ela era avassaladora, apesar de nunca ter sido correspondido, apesar da diferença de idade entre eles ser de quase trinta anos, apesar de ser casado com D. Cida, reconhecidamente a mulher mais vingativa e vaidosa da cidade, ele ainda tinha esperanças de um dia, talvez, quem sabe?
Oito anos após o sumiço de Desireé ela ainda era lembrada, mas sua mãe faleceu sem revelar o segredo. Um dos últimos atos do prefeito, antes de deixar o cargo, foi mudar o nome da cidade para Desireé.
Porém, tudo foi desvendado e esclarecido no dia da inauguração da praça que levava o nome do falecido prefeito, quando D. Cida foi chamada para fazer o discurso de abertura. A ex-primeira dama, com a voz sibilante e aguda que lhe era característica, voz que nos velhos tempos fazia tremer os mais valentes, lançou a notícia. Um silêncio negro e frio instalou-se. Os homens da cidade estavam consternados com a revelação. D. Cida trazia na mão a prova da morte de Desireé. Um telegrama recebido por ela cinco meses após o falecimento de seu saudoso marido. O detetive, remetente da mensagem, informava laconicamente ter encontrado o óbito de Desireé Mendonça na cidade vizinha. Estranhamente não havia "causa mortis" especificada. D. Cida desculpou-se com os presentes, afirmando não ter informado antes porque simplesmente havia esquecido e tinha se lembrado do caso apenas dois dias atrás, quando remexeu nos velhos papéis do marido.
O atual prefeito estava estarrecido. D. Cida tinha conseguido estragar a festa. Ela ofuscara toda a solenidade com aquela revelação. Os homens sofriam frustrados, porque ainda mantinham em seus corações a ilusão do retorno da musa. As mulheres que nunca desejaram sua morte ficaram com remorso e as outras, que sonhavam ver Desireé retornar matrona, cheia de filhos e tão encalecida quanto elas mesmas, ficaram completamente desiludidas.
No dia seguinte à solenidade a ex-primeira-dama foi encontrada morta. Atestaram causas naturais. Após o enterro o padre foi para seu escritório, nos fundos da igreja, perto da capela, onde queimou todas as provas do assassinato que D. Cida havia confessado, pois nunca havia perdoado o marido por sua "paixão", nem Desireé, por sua beleza.

Education, the matter!

We have a news schedule everyday on Twitter. We start thanking and greeting followers and following people. Then we print the outstanding breaking news taken from NY Times, USA Today, The Independent, BBC News. Next we talk about Brazilian History and Greography, highlighting Ceará state's characteristics. In a good mood style we put forth phrases, expressions, words which are commonly used in the state and unknown outside. We are always amazed with the lack of knowledge about regional cultures inside one same country. We had the chance to see, throughout last week, that the main First World newspapers' headlines on Education remained the same. So we think that there is a sequence of facts at world level and these are all linked to the educational crisis. Without generalization or pretending to impose a point of view, we perceive the depth of the problem and we remain completely impotent to foresee a solution for it. Everyday the print media cut down their news material and the professional who produce it. Our young people kick away reading habits and our educators become outdated and are unable to compete with the information technology's dynamism. The educational didactic continues, all over the world, with the same educational discourse, competing with several complex, real lines of thoughts based on daily life matters which affect the young. We are losing a battle and, in it, our young, a whole generation. Our legacy, as parents and teachers, should have been to educate well, a thing we cannot do anymore. We believe there should be a world political effort that would really get down on this matter and take drastic measures because modern time so requires. Lack of education leads to dehumanization.

TUITADA EDUCACIONAL


Amanhã acaba minha boa vida de licença-prêmio, pego no batente outra vez. Mas foi tudo muito produtivo, nunca escrevi tanto, nunca li tanto. Fiz pesquisa das coisas mais loucas e vi que meu mundo tinha se apequenado bastante. Também andei fazendo uns insights. A gente tem que se olhar no espelho todo dia e aprender a não se acostumar com o que vê...
É isso! A vida ensina legal, não dá para se revoltar, justo e injusto, certo e errado é maniqueísmo demais, entre os extremos tem de tudo...
Eu estava falando da educação, fico batendo nesse assunto direto. Já pararam para pensar que já vamos para a terceira geração do amém? Três gerações no ralo!
Dizer que a capital do país é Buenos Aires! Que o Ceará fica na Região Norte! Que o México está na África! Sinceramente, quando os políticos anunciam que querem ou que vão mudar o país, em seus discursos, eu fico morrendo de medo de acordar na Antártida! Ou pior, no meio do Afeganistão!
O negócio está tão sério que ninguém se importa mais, virou carne de vaca. Já vi fração escrita com dois "s" e já li petição de advogado que escreveu "doutro juíz", quando queria dizer "douto juízo"; "meretríssimo", então, tem às pencas! "Concizão", "requizição", puxa se eu fosse enumerar dava um livro de absurdos! Ninguém faz nada! Está tudo legal! OU SERIA LEGAU?
Alguém disse que sangue de Jesus tem poder! Então joga uns 2.000.000 de litros aqui!!!
E a letra dos estudantes? Alguém já pegou aí para ler as redações dos alunos nas escolas públicas ou privadas - é tudo igual! Agora a moda é escrever o "o" como um coraçãozinho e o pingo do "i" também. Ou escrever com a letra enorme para dar logo as trinta linhas de praxe, ou com uma letra bem espalhada e pequenininha que ninguém entende, mas esse é o canal.
Não tem mais correção como antigamente porque é antididático. O professor não pode dizer mais que o aluno errou, é antipedagógico. O professor tem que dizer que o aluno escreve diferente, senão vão cair matando em cima dele com um processo no Conselho Tutelar.
A nossa nova estrutura educacional aboliu o erro... Se ninguém erra, ninguém vai incorporar o erro que é o primeiro passo para a aprendizagem.
As provas discursivas estão praticamente abolidas, são fonte de constrangimento para o aluno. Mas ele pode tentar adivinhar a resposta da questão marcando uma das 5 opções.
Esse é o nosso ensino hoje, a didática moderna que é pró-ativa e construtivista (?) para não complexar o alunado.
Os professores mal formados saem das inúmeras faculdades de Pedagogia e não sabem sequer a diferença entre um pendrive e um laptop, hoje já considerados material didático. Professores que não sabem usar um computador, um celular, são esses os profissionais que enfrentam diariamente um bando de vândalos high-tech protegidos pelo ECA e aí está...cansei, vou dormir. Boa noite. Amém para vocês também!