CINQUENTA ANOS

Há quarenta anos, vivo imaginando o viver. Ainda não construi a imagem ideal, creio que em mais quarenta anos ainda não terei conseguido.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Subjetivo


Observe uma reunião, não a reunião em si, mas as pessoas presentes. Seus maneirismos e gestos, seus rostos, seus olhos, a posição de suas mãos, a maneira como se viram para o lado, a maneira como conversam, dessa forma você, pacientemente, pela observação, descobrirá coisas bem interessantes e curiosas sobre elas. Identificará suas motivações, alianças, animosidades, dependendo você poderá perceber até quem será o vencedor de uma discussão antes mesmo dela começar.
Lidamos todo dia com pessoas, contudo, não as vemos, não percebemos seus hábitos, seus interesses, sua subjetividade.
Vamos supor que um colega seu de trabalho fosse ser escolhido para chefe , o que mais importaria a você? Que ele fosse um bom amigo ou que ele fosse, exclusivamente, um bom profissional?
Ninguém olha, de fato, para o chefe, mas ele é visto por todos, pois todos falam dele. Você pode , porém, afirmar quem ele é realmente?
Alguém pode estar pensando - quanta baboseira! O que amizade tem a ver com profissionalismo? Mas eu já vi muitas relações sociais e familiares terminarem porque uma das partes tinha alterações de humor que se tornaram insuportáveis para as outras partes envolvidas.
Se você perguntar a cinco pessoas, por exemplo, sobre determinado objeto cada uma dará a você uma percepção diferente sobre o objeto dado, está cientificamente comprovado que a percepção depende do referencial e esse referencial está no observador.
Somos seres inter-subjetivos e subjetivos, somos, contudo, treinados desde a infância , se quisermos "vencer na vida", a sermos práticos e objetivos. Em resumo, não podemos ser subjetivos, temos que controlar as nossas emoções.
Um dos mais encorajadores contos que eu li, chama-se "O Homem Bicentenário", de Isaac Asimov. Uma das histórias mais pungentes que eu li, chama-se "Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, os dois escritores falam de maneira diferente sobre o mesmo assunto: a emoção.
Só se vê bem com o coração? O essencial é invisível aos olhos?